Como entender a tabela de atenuação e calcular a eficiência do protetor auditivo?

8 minutos para ler

Na indústria, há vários postos de trabalho nos quais a pressão sonora no ambiente encontra-se acima do nível considerado como tolerável para um ouvido humano (cerca de 85 decibel por 8 horas de exposição). Entretanto, essa avaliação do som, levando em conta apenas o seu valor em decibel, pode ser classificada, de certa forma, como equivocada, visto que há outros parâmetros para serem analisados na hora de providenciar o devido EPI, como é o caso da tabela de atenuação.

O que normalmente acontece em uma indústria é a distribuição deliberada de protetores auditivos para os colaboradores, somente com a avaliação de ruído, sem qualquer estudo de caso mais detalhado, isto é, é identificado apenas qual é a fonte e que a pressão sonora no local de trabalho está superior a 85 decibéis e, posteriormente, é comprado o abafador para o específico patamar de decibel, negligenciando completamente o que determina a tabela de atenuação deste EPI.

Porém, você já sabe o que é tabela de atenuação e como ela funciona? Então, continue a leitura e confira abaixo tudo sobre esse tema!

Avaliação do som

Além da pressão sonora em decibel, o som tem outra característica importante e que também o ajuda a defini-lo, que é a sua frequência seja em oitavas ou bandas de 1/3 de oitavas.

O ouvido humano consegue captar sons emitidos apenas na faixa de 20 a 20.000 hertz (infrassom e ultrassom respectivamente), fora desse patamar, há apenas alguns animais (como cães e gatos) que são capazes de perceber a oscilação das ondas sonoras. Além disso, cabe ressaltar que há sons que têm o mesmo valor em decibel, entretanto, são emitidos pela mesma fonte mas em frequências distintas, o que faz total diferença para quem almeja controlar/reduzir esse risco.

Nesse contexto, infelizmente, no Brasil, o setor de segurança do trabalho, em sua grande maioria, considera apenas a pressão sonora da fonte emissora, o que é um erro, já que ignora a frequência de oscilação. A pressão sonora, dada em decibel dB, não pode ser somada ou subtraída, pois estamos falando de uma escala logarítmica o que significa que fazer isso não é tão simples como 2 + 2 = 4.

Para facilitar a compreensão desse equívoco, que para uma fonte geradora de ruídos que emita sons em diversas frequências com pressão sonora de 80dB, não significa que todas as frequências são emitidas com a mesma intensidade de pressão sonora, ou seja, podemos ter 80dB para 250Hz e 65dB para 3000Hz.

Segurança no trabalho

É a Norma Regulamentadora 15 (NR 15) que determina o máximo de exposição diária para a específica pressão sonora, e, de acordo com ela, 85 decibéis representam o máximo para que um colaborador fique exposto a um período de 8 horas consecutivas com as devidas proteções. Sendo assim, para esse mesmo tempo de exposição, porém com 100 decibel (de acordo com a norma), a empresa já é obrigada a buscar meios para o controle do risco e arcar com insalubridade.

A forma mais comum de controlar/reduzir o risco sonoro é com a utilização do Equipamento de Proteção Individual abafador de ruído, sendo que, para a situação descrita acima, grande parte das empresas se preocuparia apenas em comprar um EPI com 15 dB de atenuação, assim sendo de 100dB teríamos hipoteticamente 85dB quando utilizado um abafador de ruídos de 15dB.

Basicamente, toda a indústria segue esse perfil de análise (denominado como método curto de avaliação de ruídos), contudo, visando a garantir, de fato, a segurança do colaborador, é necessário adotar o procedimento mais criterioso de avaliação, chamado de método longo, onde verificamos a performance do protetor auditivo por bandas de frequências, segundo resultados obtidos em testes e expressos na tabela de atenuação e quais as frequências que prevalecem na ambiente para sabermos realmente se o abafador é capaz de cumprir com seu papel quanto a atenuação de ruídos para aquelas frequências.

Tabela de atenuação

Para entendermos o método correto de avaliação, é interessante compreender, inicialmente, o que é a tabela de atenuação e como ela funciona.

Desse modo, em um cenário hipotético, um abafador de ruído que contenha, em seu certificado de aprovação (CA), uma atenuação de 22 db. Em um cenário ideal, ele reduz a intensidade do som ambiente em 22 decibéis, porém, essa conclusão é rasa e muito provavelmente estará errada quando realizado uma correta avaliação na prática.

Já no cenário real, a sua atenuação variará de acordo com o valor da frequência. Em outras palavras, há casos em que esse mesmo EPI especificado para atenuação de 22 db alcançará outros valores de redução (tanto para mais quanto para menos).

Tabela de Atenuação


Dessa forma, a tabela de atenuação trabalha justamente em cima dessa equivalência, buscando demonstrar a verdadeira redução sonora segundo a frequência do som e o valor de atenuação de referência (especificado no abafador de ruído). Para a tabela acima podemos concluir que:

– O abafador possui NRRsf de 23dB, que serve para realizar avaliação pelo método curto e que não é eficaz.
– Para frequência de 125Hz o abafador atenuou 12dB.
– Para frequência de 8000Hz o abafador atenuou 36dB.

Considerando os três itens podemos afirmar que:

– O NRRsf não é um método eficaz para utilizarmos como representação da atenuação de ruído do abafador.
– Reforçando o que acabamos de dizer, se em 125Hz o abafador atenuou 12dB não é crível os resultados do NRRsf.
– Da mesma maneira que para 8000Hz o abafador possui uma atenuação 36dB.

Por estes e outros motivos, os protetores auditivos devem ser avalizados segundo sua tabela de eficiência correlacionando a atenuação por frequência com as medições do ruído do ambiente, assim sendo, é possível comprovar que a atenuação de número único não deve ser o único parâmetro para a implantação de um protetor auditivo.

Aplicação da tabela de atenuação

O chamado método longo de avaliação nada mais é do que a aplicação da tabela de atenuação, o qual tem o intuito de considerar a frequência do som para definir, com precisão, qual é a verdadeira taxa de redução do ruído.

Exemplo

Em um ambiente de trabalho, há uma fonte que emite ruídos de 120 dB e com frequência de 8.000 Hz. Pela NR 15, um colaborador que atua 8 horas nesse local teria apenas que utilizar um EPI que reduza o ruído em 35 dB.

Porém, ao consultar a tabela de atenuação de um abafador de ruído de 22 dB, concluímos que, para a frequência de 8.000 Hz, a sua atenuação passa a ser de 38 dB, reduzindo assim, a pressão sonora percebida pelo ouvido para 82 dB, isto é, um nível seguro.

Já esse mesmo EPI de 22 dB, quando utilizado para atenuar um som que oscila em uma frequência de 125 Hz, com a mesma pressão sonora, segundo a tabela, o EPI atenuará apenas em 12 db, resultando em 98 dB. Portanto, a eficiência do protetor auditivo não se mede apenas pelo número NRR(sf) (Noise Reduction Rate Subject Fit — taxa de atenuação de ruído em colocação subjetiva), mas, sim, pela análise da frequência do som também.

Sabendo disso, é possível afirmar com propriedade que, infelizmente, há muitas situações na indústria em que o setor de segurança do trabalho imagina controlar o risco (no caso, o ruído), mas, na verdade, os usuários podem continuar expostos a ruídos insalubres e prejudiciais para a saúde.

Dessa maneira, como a frequência do som também é um parâmetro que impacta no momento de especificar o Equipamento de Proteção Individual (EPI), é fundamental, então, a empresa sempre considerar o estudo da tabela de atenuação. Caso contrário, há risco de os colaboradores perderem a audição gradativamente, ou, até mesmo, sofrerem consequências no coração e no pulmão.

O conteúdo foi válido para você? Então, assine a newsletter da Delta Plus e confira outros temas importantes acerca da segurança do trabalho.

Você também pode gostar

2 thoughts on “Como entender a tabela de atenuação e calcular a eficiência do protetor auditivo?

  1. Trabalho em um aterro sanitário um ambiente com muita concentração de poeira , usamos as mascara pff2, gostaria de saber se está correto.

    1. Boa tarde, Erlande.

      Tudo bem?

      Se a poeira para a qual deseja proteção estiver dentro dos limites tolerância seguro, o respirador PFF2 pode ser aplicado.

      Como mencionastes que é um aterro sanitário, pode ter a ocorrência de outros contaminantes, tais quais: vapores orgânicos, gases etc. Assim sendo, para estes casos os respiradores não oferecem proteção.

      Para realmente estar certo do quão efetivo é o respirador que está sendo utilizado, é necessário a implantação do Programa de Proteção Respiratória (PPR) da Fundacentro.

      Caso necessite de mais alguma informação, estamos à disposição pelo e-mail: comunicacao@deltaplusbrasil.com.br .

      Obrigado!

Deixe uma resposta

-